O governo de Donald Trump disse às autoridades interinas da Venezuela, havia semanas, que a líder oposicionista María Corina Machado deveria poder voltar ao país antes de eventuais eleições no ano seguinte. A informação foi dada pelo secretário de Estado Marco Rubio em entrevista coletiva por telefone na segunda-feira. Segundo ele, o governo da presidente em exercício Delcy Rodríguez respondeu que Machado estava livre para entrar no território venezuelano. Ela retornou ao país no fim de semana.
Rubio afirmou que Washington só havia pedido que a volta não ocorresse logo após os terremotos devastadores de junho, porque a prioridade naquele momento era levar ajuda humanitária e de emergência ao país. Machado passou a maior parte de 2025 escondida na Venezuela e deixou o país em dezembro de forma clandestina, rumo à Noruega, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Depois, entregou a medalha ao presidente Donald Trump.
O contexto político é marcado pela queda de Nicolás Maduro. Em janeiro, uma operação militar americana capturou o ex-presidente, que foi levado aos Estados Unidos para responder a acusações de tráfico de drogas. Delcy Rodríguez, que era vice de Maduro, assumiu o poder e já ultrapassou o período para o qual estava autorizada a governar, sem que nenhuma eleição tenha sido marcada.
Na semana anterior, autoridades venezuelanas e líderes da oposição acordaram um roteiro para reformar o processo eleitoral, com o objetivo de realizar uma votação livre e justa em algum momento de 2027. Rubio disse que os Estados Unidos acompanharão os acontecimentos de perto e pedirão que todas as partes cumpram o novo processo. Ele afirmou que Washington usará sua influência sobre o governo interino para que o caminho avance de forma responsável.
Ainda não há data para a eleição. Segundo Rubio, a Venezuela precisa estabilizar a economia e reconstruir instituições, incluindo os tribunais e o conselho eleitoral. Ele também citou a necessidade de espaço aberto para a expressão política, com liberdade de imprensa e acesso de todos os veículos de comunicação, inclusive plataformas online. Não foram detalhados prazos nem as etapas da reforma eleitoral.




