O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no domingo, 25, ao vencer Flávio Bolsonaro (PL). A vitória, segundo análise publicada pelo Estadão, marca o início de uma nova fase no PT, que ainda não tem um sucessor definido para o líder.

Aos 80 anos, Lula disputou sua última eleição. Em mais de quatro décadas à frente do partido, ele não preparou um substituto, e a ausência de um nome forte ajudou a manter a candidatura dele como a única opção viável ao Planalto.

Duas frentes de disputa

Nos bastidores, a briga já começou em duas frentes. A primeira envolve grupos internos e regionais. De um lado está o PT paulista, historicamente influente na legenda. Do outro, cresce o PT do Nordeste, impulsionado pelo desempenho nas urnas deste ano.

Segundo a coluna, a escolha da equipe ministerial deve mostrar os primeiros sinais de como Lula pretende conduzir a sucessão. Nesse cenário, o senador Camilo Santana (PT-CE) ganha força e é cotado para a Casa Civil, enquanto o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, passa a ser observado como possível presidenciável.

Na segunda frente estão políticos de fora do partido que buscam ser vistos por Lula como herdeiros. Entre eles estão Guilherme Boulos (PSOL), ministro da Secretaria-Geral da Presidência, o ministro do STF Flávio Dino, que deixou o PSB ao assumir a vaga na Corte, e o ex-prefeito do Recife João Campos, presidente do PSB.

O que ainda não se sabe

Integrantes do PT avaliam que é improvável que o partido abra mão da cabeça de chapa. Mesmo quem se filiar à legenda terá de esperar na fila, e a disputa deve durar os próximos quatro anos.

A expectativa é que Lula não aponte seu preferido nos primeiros dois anos de governo. A decisão deve ficar para 2029 ou 2030. Enquanto isso, sem um nome definido, a disputa interna no PT e entre outras legendas da esquerda tende a aumentar.