Às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump fez um último apelo aos eleitores para manter o Partido Republicano no controle do Congresso. Ele realizou comícios na Flórida, em Iowa e no Kansas, estados que venceu em eleições anteriores, o que sinaliza uma postura defensiva do partido antes da votação de terça-feira.

Diante da insatisfação com a alta de preços, Trump tentou minimizar o tema e concentrou os ataques nos democratas, a quem acusou de que levariam as famílias à falência caso vencessem. Ele também fez campanha por meio de comícios remotos para candidatos em Michigan, Ohio e Pennsylvânia.

Segundo as pesquisas, os democratas têm boas chances de conquistar pelo menos o controle parcial do Congresso. Isso permitiria frear o poder do presidente e poderia alterar os dois últimos anos de seu mandato. A presença de Trump nesses estados, antes considerados redutos republicanos, mostra o nível de competição na disputa.

O custo de vida é o principal foco de críticas. Combustíveis, alimentos e serviços de saúde ficaram mais caros desde o início da guerra no Irã, há mais de oito meses. Nos comícios, Trump também criticou a atuação dos democratas em temas de imigração e direitos de pessoas trans, e afirmou que eles tirariam as armas dos eleitores.

Uma ferramenta de previsão da Universidade Harvard indica 96% de chance de os democratas assumirem a Câmara e 76% de chance de conquistarem o Senado. Uma pesquisa nacional da NBC News também aponta preferência por um Congresso controlado pelos democratas, com 52% contra 45%. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, disse estar muito confiante na vitória.

No fim de semana, a deputada democrata Haley Stevens, derrotada na disputa interna pela candidatura ao Senado em Michigan, declarou apoio ao republicano Mike Rogers. A decisão gerou críticas de colegas de partido e elogios de republicanos, inclusive do próprio Trump. Já no Alasca, um juiz rejeitou uma tentativa do governo de adiar a certificação dos resultados caso o senador republicano perca, em meio a dúvidas levantadas pela administração sobre a segurança do voto.

Ainda não se sabe qual será o resultado final da votação nem se as projeções das pesquisas se confirmarão. As eleições definem quem controla as leis, a política econômica e a fiscalização do governo federal nos dois últimos anos do mandato de Trump, além de temas como preço da gasolina, impostos, saúde e aborto.