O presidente Luiz Inácio Lula da Silva resiste a uma mudança fiscal mais ampla, segundo relato da coluna de Vinicius Torres Freire, publicada pela Folha de S.Paulo. Pessoas que conversaram com Lula na semana passada descrevem o presidente como preocupado com a possibilidade de o governo seguir o caminho de 2015, no segundo mandato de Dilma Rousseff.

Na economia, a reação mais dura apareceu na segunda-feira (26), quando o mercado teve forte queda. Lula afirmou que não aceita mais duas décadas de discurso sobre ajuste e disse que seu governo tem os melhores resultados fiscais desde o governo Fernando Henrique Cardoso. Ele também acusou o mercado de tentar mantê-lo refém.

O contexto ajuda a entender a resistência. Segundo o Datafolha citado na coluna, a avaliação de Dilma caiu de 42% de ótimo ou bom antes do segundo turno de 2014 para 13% em março de 2015. A crise econômica começou no segundo trimestre de 2014 e se aprofundou no início de 2015, com queda do emprego.

Lula se opõe a sugestões como conter o crescimento dos reajustes do salário mínimo e dos benefícios sociais, medidas que defensores do ajuste consideram básicas. Ele quer novas iniciativas sociais e não aceita o que chama de traição aos eleitores mais pobres.

No governo, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, ganhou mais espaço nas conversas com o presidente. Lula também vai ouvir o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e economistas de esquerda, que defendem a queda dos juros por ação direta. Já economistas liberais e banqueiros têm procurado ministros para defender o ajuste.

Por enquanto, a coluna prevê apenas uma tentativa de cumprir a meta de superávit do arcabouço fiscal, com mais liberdade para bloquear gastos, e aumento de receita pela redução de isenções fiscais. Os nomes cotados para a Fazenda, Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin, ainda são considerados balões de ensaio.

Ainda não se sabe se o Banco Central cortará a Selic na quarta-feira (4). As expectativas de inflação para 2027 subiram, em parte pelo dólar mais caro, e as projeções de crescimento do PIB caíram para a faixa de 0,5% a 1,3%. A definição do rumo econômico depende, portanto, de decisões ainda não tomadas pelo Planalto.